sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O vazio dos seus olhos seria a sua alma, criança? Aquela que vendeu-me com tanto regozijo? Os seus 9 pecados, a sua desilusão.
Sim, seu corpo queria isso.
O que seria da dor criança, se não tivesse esses seus olhos tão inocentes escorrendo do sangue mais doce e vil que se pode saborear?
 O que seria de mim amada criança, sem seus toques que se deixam delirar, aqueles seus toques que se tornaram tão frios... seus toques que se iam criança, que se desfaleciam com o tempo.
O que seria da minha fútil existência sem a ternura da sua alma para me alimentar?
A sua alma não mais minha criança, aquela que em você não existe mais.

Lembranças, meu mártir.

As vezes não acho muito do que falar, falar sobre ela.
Algumas coisas ainda não fazem sentido... sentido nenhum.
Mas não irei começar por elas.

[...]
Coisas que na maioria das vezes percebo - 93% - é que ela observa as coisas, as pessoas, ruas, lugares; tudo. as pessoas se sentem incomodadas, e com isso, ela observa mais.
Nunca foi tão fácil assim. Poucas pessoas - 25% ou menos, bem menos - conseguem sustentar um olhar.
Sou uma delas.
Li um livro, e uma frase me chamou a atenção. a narradora comentou que observava os humanos com as suas maquigens em torno dos olhos, delineando-os para ficarem mais expressivos. Expressar o que? São todos vazios, sem o discernimento... ou mesmo uma alma.
Será, por acaso o inverso?
Algumas pessoas não suportam o meu olhar.
Elas por acaso, tem medo de ser tão profundo ao ponto de engoli-las?

Comento sobre a outra metade.
Eles não conseguem desviar os olhos.
As pessoas se perturbam ao me olhar.
Algum zoam e/ou chamam a atenção, mas eles não são diferentes das pessoas que se assustam e arregalam os olhos.
E, de verdade, isso é muito reconfortante...
Por algum momento da vida delas,
Eu sei, já quiseram ser iguais.

Engoliram tanto da tal verdade do mundo, que desistiram.
E ainda te aqueles que já foram assim e largaram.
Me dizem que isso acontecerá comigo.
Falam que isso é uma fase.
Mas não,
Isso não é uma fase.
Eles pararam, se acostumaram. Deixaram de acreditar.
Isso não vai acontecer comigo, é tão improvável.
Digo isso com toda a certeza por que já chegou a hora dessa fase passar, 
Sim, eu já parei, já me acostumei.
Já fui um deles.

[...] E ainda não sei porque pensam assim.
Foram obrigados a pensar assim?
Não, na verdade eu sei por que pensam assim. É que na verdade não pensam.
Eles têm medo de pensar, de perceber que o mundo em que eles vivem é uma mentira.
Uma mentira vestida delicada com rendas e bordados, uma mentira em forma de verdade.
Eles têm horror a coisas novas, qualquer coisa fora do seu plano piloto é rapidamente descartado.

Não foi fácil sair disso. Não é fácil sair. Eu sei...
Ninguém quem quer você saia, 
Ninguém te ajuda a sair.
Eles se penduram em você... 
Eles imploram, eles suplicam,
Eles vivem da sua cegueira..